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CLIMA E CONSTRUÇÃO

Contra o calor extremo, construção civil reinventa a forma de morar em Cuiabá

Soluções arquitetônicas e materiais inteligentes ganham protagonismo em empreendimentos verticais na capital mato-grossense 

O calor intenso de Cuiabá, frequentemente acima dos 40 °C, deixou de ser apenas uma característica climática para se tornar um dos principais desafios da construção civil. Em um cenário de expansão dos empreendimentos verticais, o mercado imobiliário tem sido pressionado a inovar e incorporar soluções que garantam conforto térmico e eficiência energética desde a concepção dos projetos.
Mais do que uma tendência, pensar o clima passou a ser uma exigência. Segundo a engenheira-chefe da Vivart, Rayane Gama, o ar-condicionado já não pode ser visto como a única alternativa. “Ele é o recurso final. Antes disso, todo o projeto precisa ser pensado para reduzir o calor interno de forma natural, porque isso impacta diretamente no custo e na qualidade de vida de quem mora”, explica.
Uma das principais estratégias adotadas pelo mercado é a arquitetura bioclimática, que considera fatores como incidência solar, ventilação e orientação do edifício. Em Cuiabá, isso significa priorizar fachadas voltadas para o leste, aproveitando o chamado “sol da manhã”, menos agressivo.
De acordo com o arquiteto da Vivart, Luis Felipe, o estudo da posição solar é um dos primeiros passos de qualquer empreendimento. “A forma como o prédio é implantado no terreno impacta toda a experiência térmica. A posição das sacadas, das janelas e até das áreas comuns é definida a partir disso”, afirma.
Além da orientação, elementos arquitetônicos como brises, marquises e sacadas ganham protagonismo. Esses dispositivos funcionam como barreiras físicas que reduzem a incidência direta do sol, ao mesmo tempo em que permitem a circulação de ar.
 
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Em Cuiabá, o calor intenso é um fator que deve ser levado em consideração ao planejar um empreendimento arquitetônico.

Outro ponto central: a escolha dos materiais.

Desde o tipo de tijolo até o acabamento, tudo influencia na temperatura interna dos ambientes.
Rayane destaca que até elementos “invisíveis” ao morador são decisivos. “A quantidade de furos do tijolo, o posicionamento na parede e o sistema construtivo impactam diretamente no desempenho térmico. São decisões técnicas que começam lá no projeto”, diz.
Já nos acabamentos, a atenção recai sobre o comportamento térmico das superfícies. Dependendo do revestimento, pode haver a reflexão ou absorção de calor, enquanto tonalidades escuras absorvem mais energia térmica. “A escolha precisa equilibrar estética e funcionalidade. Em Cuiabá, isso é ainda mais crítico”, complementa Luis Felipe.
O uso de vidros também exige cuidado. Fachadas espelhadas, populares em grandes centros, podem ser prejudiciais se não forem adaptadas ao clima local. A alternativa tem sido o uso de vidros com controle solar, que reduzem a entrada de calor sem comprometer a iluminação natural.
A ventilação cruzada é outra solução amplamente utilizada. O conceito consiste em permitir que o ar circule livremente pelos ambientes, entrando por uma abertura e saindo por outra, promovendo renovação e resfriamento natural.
“Isso não se limita às unidades. Áreas comuns, como corredores, também são projetadas para permitir essa ventilação cruzada, o que melhora a salubridade e reduz a necessidade de climatização artificial”, explica o arquiteto.
Essas estratégias têm impacto direto no consumo de energia. Ao reduzir a dependência de ar-condicionado, os empreendimentos se tornam mais eficientes e sustentáveis, uma demanda crescente entre compradores e investidores.
 
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Não é só o ar-condicionado que conta como condicionante para amenizar o calor intendo da capital. Um prédio bem planejados tende a trazer mais economia para investidores e moradores das unidades.
O paisagismo deixou de ser apenas um elemento estético e passou a integrar a estratégia térmica dos projetos. A chamada biofilia, conceito que busca aproximar as pessoas da natureza, tem sido incorporada em fachadas, áreas comuns e até em estruturas verticais.
Na prática, isso significa edifícios com áreas verdes integradas, fachadas vegetadas e sistemas de irrigação planejados para suportar o clima seco e quente da cidade.
“Hoje, o paisagismo é pensado desde o início, com consultores especializados. Não é mais um detalhe, é parte essencial do conforto térmico e da experiência do morador”, afirma Rayane.
Em uma cidade historicamente marcada pela expansão horizontal, os empreendimentos verticais ganham espaço como alternativa para uma ocupação urbana mais eficiente. Mas, para se consolidarem, precisam responder às particularidades climáticas locais.
A adaptação ao calor extremo de Cuiabá tem mostrado que a verticalização não é apenas uma questão de espaço, mas de inteligência construtiva. “E, nesse cenário, o mercado aponta para um futuro em que tecnologia, sustentabilidade e conforto caminham juntos, mesmo sob temperaturas desafiadoras”, completa Luis Felipe.
 

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